TEA – O que é e como lidar com pessoas autistas

Em algum momento das nossas vidas já escutamos a palavra autismo. Muitas vezes fazemos uma pequena ideia do que é esse transtorno na realidade, mas raramente sabemos o que fazer quando nos deparamos com essa situação. Todas as informações são valiosas seja no contexto escolar, social e/ ou familiar.

 
Fabiano de Abreu Agrela, neurocientista, PhD e mestre em psicologia luso-brasileiro tem-se debruçado sobre o tema e esclarece alguns aspetos que considera relevantes. Primeiramente devemos objetivar o assunto deste texto. Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) — é uma condição caracterizada por déficit na comunicação social (socialização e comunicação verbal e não verbal) e no comportamento (interesse restrito ou hiperfoco e movimentos repetitivos).

 
Segundo Abreu, “para compreender o comportamento de pessoas com TEA, tem que identificar o grau que é medido pela gravidade do comprometimento e varia de leve (nível 1) à severo (nível 3), passando pelo moderado (nível 2)”, sendo que, “a disfunção sensorial no autismo, também chamado de transtorno do processamento sensorial, são distúrbios biológicos que mexem na capacidade que o cérebro tem de entender os estímulos. Esses estímulos podem ser vários, como sensações de cheiros, sabores, texturas, sons, luzes, cores, entre outros, assim como as sensibilidades que têm a ver com o movimento do corpo, como andar, correr, pular, subir escadas e balançar objetos.”


Ainda segundo o neurocientista é necessário investigar se o autista fica incomodado com algo que não costuma atingir as outras pessoas ao redor. Como por exemplo em lugares com barulhos ou muito iluminados. Reações ruins a alimentos ou a objetos relacionados a hábitos normais. Atos como dormir e tomar banho podem se tornar problemáticos e trazer perdas à própria saúde. Sentimento de angústia, ansiedade e resistência são fatores que podem piorar e resultar em maiores problemas mentais.  


Abreu esclarece que “deve-se estimular de forma positiva, como por exemplo, se cometer atitudes estranhas como ficar olhando muito tempo algo ou cheirando muito tempo algo, levar isso como um fator de curiosidade e aproveitar esta oportunidade. Por exemplo, se a pessoa com TEA analisa a textura de um papel, mostre mais o papel e para o que serve, desenhando, pintando ou escrevendo.”


Existem ainda nuances de informação a que devemos entender, uma das quais se prende com o tipo de sensibilidade que podemos encontrar nas pessoas com autismo.
Existem duas categorias de sensibilidades entre os autistas: os que são hiposensíveis e os hipersensíveis. A hiposensibilidade é quando o autista coloca sempre seu corpo num movimento que é atraído pela sensação que será causada. Os hipersensíveis fogem das situações incômodas.

Segundo as palavras do neurocientista, “o caso dos hiposensíveis ofereça pontos visuais para quem tem dificuldade de entender o que é falado, use movimentação para trabalhar as questões corporais e corrigir o que for preciso, experimente brinquedos sensoriais, utilize cobertores mais pesados e use móveis que não tenham superfícies e formatos que possam machucar.

 
Já no caso dos hipersensíveis, diminua a intensidade da luz e sons, use óculos de sol e viseiras, tampões ou fones de ouvidos, mantenha as portas fechadas. Evite excesso de perfumes, diminua a intensidade dos temperos nos alimentos, assim como a temperatura deles. De preferência a roupas mais confortáveis removendo as etiquetas ou algo que incomode como costura que arranhe. E sempre peça permissão ao tocá-lo.”, esclarece.


Ainda segundo Abreu, a terapia ocupacional é eficaz pois identifica quais sensibilidades o autista possui e diminui os efeitos negativos. Também terapias relacionadas à fala e outras que tratem os comportamentos cognitivos. Dr. Fabiano de Abreu Agrela é diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), Cientista no Hospital Universitário Martin Dockweiler, Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International, Membro ativo da Redilat – La Red de Investigadores Latino-americanos, do comitê científico da Ciência Latina, da Society for Neuroscience, maior sociedade de neurociências do mundo nos Estados Unidos e professor nas universidades; de medicina da UDABOL na Bolívia, Escuela Europea de Negócios na Espanha, FABIC do Brasil e investigador cientista na Universidad Santander de México.

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