Policiais do BAEP 10 cumprem mandatos contra integrantes do PCC em Sumaré

A investigação do Ministério Público contra a facção PCC – Primeiro Comando da Capital, em Sumaré, que deu origem à Operação Elmo, deflagrada na semana passada, surgiu após interceptações telefônicas identificarem o risco grave e real de atentados contra forças de segurança do município.

As ameaças surgiram durante monitoramentos após a realização da Operação Ferrolho, em agosto de 2018, e depois que policiais da Rota frustraram um “tribunal do crime” no bairro Matão, em setembro do mesmo ano.

Nas conversas interceptadas, integrantes do PCC ameaçam atacar viaturas da Força Tática, da Polícia Militar.

Em um relatório reservado com data de 12 de setembro de 2018, três dias após a conversa sobre um possível ataque a viaturas, foi sugerida a abertura, em regime de urgência, de uma nova operação para acompanhar a facção e antecipar possíveis crimes.

O documento é a conclusão de uma denominada Operação Baygon, que monitorou membros da facção entre 29 de agosto e 11 de setembro de 2018.

As ameaças contra órgãos de segurança seriam uma represália a prisões em Sumaré e Hortolândia.

Apesar de não haver referência direta no relatório, o clima de tensão coincide com os dias seguintes à realização da Operação Ferrolho.

 Na ocasião, em 28 de agosto de 2018, uma operação do Ministério Público na cidade, originária da investigação do homicídio de um cabo da PM em 2017, buscou e prendeu diversos suspeitos com ligação com o PCC em Sumaré, Hortolândia, Nova Odessa e Monte Mor. Catorze pessoas foram denunciadas e ainda aguardam julgamento neste caso.

Na sequência das operações Ferrolho e Baygon, surgiu a Operação Elmo, com desfecho na semana passada.

Nesta mais recente investigação, cujo nome faz referência ao capacete que protegia a cabeça de soldados medievais, foram monitorados os telefones celulares de lideranças locais da facção por seis meses. No período, a apuração interceptou relatos de tráfico de drogas, roubos e assassinatos na cidade.

Os grampos ocorreram entre outubro de 2018 e abril de 2019, e serviram para embasar a acusação apresentada em maio deste ano pela Promotoria em Sumaré contra 24 integrantes da organização criminosa no município e em cidades vizinhas, como Hortolândia e Monte Mor.

A denúncia do MP hierarquiza o envolvimento dos investigados e suas funções na célula local da facção. Um dos principais alvos das autoridades foi Willian José Silva Tenório, de 30 anos. A acusação do Ministério Público o coloca como alto escalão no organograma do PCC na cidade.

Conhecido pelo apelido de Paratudo ou Hector, seu nome surgiu em evidência durante o monitoramento entre as operações Baygon e Elmo. É em uma ligação do dia 9 de setembro de 2018, junto a outros supostos integrantes do PCC, que surgem as ameaças, por parte dos interlocutores, de ataques a policiais.

As interceptações telefônicas nos meses seguintes levaram os investigadores a concluírem que Willian José era uma liderança da facção que era procurada por moradores da comunidade para que resolvesse “problemas nas quebradas”. Ele se identificava nas ligações como “jet” de Sumaré, denominação atribuída a líderes do PCC. Na terça-feira passada, dia 26, policiais militares do 10º Baep – Batalhão de Ações Especiais da Polícia, saíram às ruas para cumprir os mandados da Operação Elmo expedidos pela 1ª Vara Criminal de Sumaré.

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