julho 4, 2022

Desde sua criação Patrulha Maria da Penha atendeu mais de 2.470 vítimas de violência em Piracicaba

Foto: Divulgação

A Patrulha Maria da Penha, serviço da Guarda Civil Municipal da Prefeitura de Piracicaba, completou cinco anos em maio com o saldo de atendimento de 2.474 vítimas que possuem medida protetiva concedida pelo Judiciário. Nascida com o objetivo de reduzir as estatísticas de violência doméstica na cidade, a Patrulha realizou até segunda-feira, 30/05, 70.369 rondas e prendeu 130 agressores em flagrante delito nestes cinco anos.

Nesta Administração, o serviço ultrapassou a ronda dos endereços residenciais para atendimento às vítimas e se tornou um espaço para que as mulheres se sintam acolhidas, com a abertura da Sala da Patrulha Maria da Penha, em março deste ano, em imóvel próximo ao Terminal Central de Integração. Outra ação para otimizar o serviço é a realização de palestras em empresas e condomínios e parceria com secretarias municipais e com a rede de atendimento à mulher. Essas parcerias resultam na capacitação profissional das vítimas de violência e lhe dão coragem para denunciar seu agressor, medidas capazes de romper o ciclo de violência. Todas essas ações juntas formam uma rede de proteção às vítimas da violência atendidas pela Patrulha Maria da Penha.

“A Patrulha Maria da Penha, nesses cinco anos, conseguiu ajudar muitas vítimas de violência doméstica. Conversando com elas, percebemos que viviam perdidas, sem saber a quem recorrer, até mesmo para sanar as dúvidas de como sair do ciclo da violência. Hoje, estamos conseguindo divulgar um pouco melhor o nosso trabalho, para que as mulheres possam vir até nós; temos uma sala própria para atendimento, um celular com Whatsapp, material deixado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) entregue durante o Boletim de Ocorrência, entre outras ferramentas”, explica Fernanda Nardon, coordenadora da Patrulha Maria da Penha.

Para Fernanda, que integra o grupamento há 4 anos, os novos serviços são um progresso enorme para a Patrulha. “Esperamos aumentar o nosso trabalho com palestras para as vítimas e os agressores. O nosso intuito inicial era proteger as mulheres, mas hoje, ele é muito mais abrangente. Pretendemos mostrar para as mulheres nosso trabalho, o trabalho da rede de proteção, o que é a violência doméstica e também ao homem, como não ser um agressor, como respeitar a medida protetiva, como ele deve proceder em diversas situações. Para isso, usaremos o trabalho preventivo com as palestras”, explica a coordenadora.

Para o comandante da Guarda Civil, Sidney Miguel da Silva Nunes, a intenção é, cada vez mais, melhorar o serviço. Uma das ações para isso é a ampliação da frota. “A tendência do nosso trabalho é qualificar mais. Minha intenção é aumentar o número de componentes e com a nova modalidade de ampliação de viaturas, que será feito por meio da locação de veículos, poderemos ampliar a frota e o número de pessoas qualificadas para este atendimento”, disse.

“Nós gostaríamos de não ter que realizar este serviço, porque pretendíamos uma sociedade em que haja respeito, Mas enquanto ainda não conseguimos, queremos é qualificar ainda mais o atendimento prestado a este público por meio da Patrulha Maria da Penha e de outros serviços públicos”, frisa o prefeito Luciano Almeida

Para Suelen (nome fictício), 24 anos, que solicitou medida protetiva após ser sistematicamente perseguida pelo ex-namorado, o trabalho da Patrulha ajudou muito num período em que ficou muito ansiosa. “Eu me senti muito acolhida pela equipe, que me transmitia segurança. Fui acompanhada quase um ano pela Patrulha e o atendimento deles foi muito importante para que eu atravessasse este período. Além do meu endereço residencial, eles também patrulhavam o local do meu estágio”, conta.

Ela relata que namorou o agressor por seis meses e que nunca foi agredida fisicamente por ele, mas quando estava com três meses de união percebeu que seria uma relação complicada para prosseguir. “O perfil dele era de uma pessoa manipuladora e observadora. Quando eu tentava terminar, ele me fazia acreditar que não deveria. Mas eu consegui quebrar este ciclo e terminei. Só que ele não aceitou o fim da relação e começou a me perseguir, o que me causou um grande estresse e ansiedade. Saí de redes sociais e tudo o mais para tentar fugir da perseguição, até que um dia, numa festa, ele me pegou forte pelo braço e eu decidi fazer o boletim de ocorrência. Na delegacia descobri que ele já tinha histórico de agressor contra a ex-mulher e decidi solicitar a medida protetiva”.

Suelen disse que deixou de fazer muita coisa e que o que lhe ajudou, além da Patrulha, foi o refúgio na religião. “Eu agradeço o trabalho que a Patrulha fez por mim. Com ela consegui superar esta situação”, ressaltou.

Criada em 2017, a Patrulha Maria da Penha, serviço da Guarda Civil, tem a finalidade de proteção de mulheres que foram vítimas de agressão doméstica ou familiar e, por decisão judicial, possuem medidas protetivas determinando que os agressores fiquem longe das vítimas, não ultrapassando um limite mínimo de aproximação. A equipe, que tem treinamento específico que capacita para o trabalho, monitora as vítimas 24 horas e a ronda dos patrulheiros consiste em evitar que os agressores descumpram as medidas protetivas, ameacem ou agridam a vítima.
Para aprimorar a atuação da Patrulha, ela mantém diálogo com outros atores da Rede de Atendimento à Mulher no município, como o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), os Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), outros serviços ligados à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads), o Conselho Municipal da Mulher e a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Isso fortalece a proteção das vítimas e a redução dos índices de violência.

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