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Deputada Bebel vai ao MP contra exoneração de servidora demitida por criticar Flávio sobre “nove dedos de Lula”

Parlamentar pede investigação de possível retaliação política na gestão Tarcísio contra servidora com deficiência e mais de 41 anos de serviços prestados ao Estado

Por: Redação
04/11/2026 às 09h30
Deputada Bebel vai ao MP contra exoneração de servidora demitida por criticar Flávio sobre “nove dedos de Lula”
Divulgação

A deputada estadual Professora Bebel (PT) acionou o Ministério Público de São Paulo para apurar a exoneração de Silvana Pereira Gimenes, servidora com deficiência retirada de uma função de coordenação na gestão do governador Tarcísio de Freitas após criticar a declaração de Flávio Bolsonaro que chamou o presidente Lula de “nove dedos”. Com mais de 41 anos de serviços prestados ao Estado, Silvana atuava na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

A representação foi direcionada à Promotoria de Justiça com atribuição na defesa dos Direitos Humanos e dos Direitos das Pessoas com Deficiência. A iniciativa busca apurar possíveis violações à liberdade de expressão, à igualdade e à proteção contra a discriminação, além das circunstâncias administrativas da exoneração.

No documento, a Professora Bebel pede que o MP investigue se houve retaliação política, discriminação ou uso da estrutura administrativa para punir o exercício da liberdade de expressão. Também solicita esclarecimentos sobre os motivos concretos da exoneração e as circunstâncias em que a decisão foi tomada.

“É um absurdo que uma servidora com mais de 41 anos de serviços prestados ao Estado seja retirada de uma função após denunciar o capacitismo. A suspeita de retaliação política precisa ser investigada com rigor. Uma secretaria que existe para defender os direitos das pessoas com deficiência deve respeitar e proteger quem se manifesta contra o preconceito. Capacitismo não, inclusão sim!”, afirma Bebel.

Durante o debate presidencial da TV Globo, em 23 de outubro, Flávio Bolsonaro se referiu a Lula como “nove dedos”, em alusão à perda de um dedo em um acidente de trabalho. No dia seguinte, Silvana criticou a declaração nas redes sociais e relatou o sofrimento provocado por comentários depreciativos dirigidos a pessoas com deficiência.

A exoneração foi determinada por resolução de 27 de outubro do secretário-chefe da Casa Civil e publicada no Diário Oficial em 28 de outubro. A medida atingiu a função de coordenadora de Desenvolvimento de Programas, sem desligar Silvana do serviço público estadual.

A Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência atribuiu a decisão a ajustes administrativos e negou motivação política. Na representação, a Professora Bebel sustenta que a proximidade entre a manifestação e a exoneração justifica a apuração dos fundamentos e da finalidade da medida.

Para esclarecer o caso, a parlamentar solicita que o MP requisite os documentos que embasaram a exoneração, os fundamentos da reorganização alegada, a cronologia das decisões e informações sobre outras mudanças de pessoal. Também pede esclarecimentos sobre quem assumiu as atribuições anteriormente exercidas por Silvana.

O documento argumenta que a possibilidade de livre exoneração de uma função comissionada não autoriza a administração pública a utilizar essa prerrogativa para punir manifestações legítimas. A representação destaca, ainda, que a crítica da servidora tratava justamente da dignidade das pessoas com deficiência, tema que integra a missão da secretaria em que trabalhava.

A Professora Bebel pede que o Ministério Público avalie ouvir a servidora, examine eventual caráter discriminatório da decisão e adote as medidas cabíveis caso sejam identificadas irregularidades. “É preciso que seja feita justiça. Esse caso não pode ficar impune!”, completa a deputada estadual.

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