Glaucoma: doença silenciosa que pode levar à cegueira alerta oftalmologista da Santa Casa de Piracicaba

Prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais para evitar a doença

Levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia mostra um dado preocupante: na pandemia, o total de exames de diagnóstico de glaucoma caiu 30% em todo País. O impacto também foi observado na realização de cirurgias para reverter e tratar a doença: pelo menos 6.700 deixaram de ser realizadas em 2020, aponta a pesquisa. O oftalmologista da Santa Casa de Piracicaba, Rafael Guena Jardim de Camargo, ressalta que a prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais para evitar a doença ou, no caso da confirmação, mantê-la controlada.

Para se ter uma ideia da redução, em 2019, na rede de saúde pública, 5,9 milhões exames foram realizados para diagnóstico do glaucoma. Já durante a pandemia, quase 1,6 milhão exames deixaram de ser feitos somente no Sistema Único de Saúde, uma queda de 27% em nível nacional. O levantamento mostra que em oito estados, a redução foi superior a 50%.

Em Piracicaba, a rede pública de saúde também registrou queda na procura. De acordo com a Secretaria de Saúde do município, em 2019, 16.920 pessoas realizaram exames oftalmológicos no SUS; em 2020, esse número foi de 16.113, sendo que 523 pessoas foram diagnosticadas com glaucoma e até dia 25 de maio desse ano, foram realizados 6.353 atendimentos, sendo 136 diagnósticos positivos para a doença.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 60 milhões de pessoas possuem glaucoma, mas apenas 50% delas sabem, pois a doença é imperceptível na maioria das vezes. A expectativa é que este número tenha chegado a 80 milhões em 2020. É a segunda doença que mais cega no mundo, atrás apenas da catarata, sendo a primeira causa de cegueira irreversível no mundo. No Brasil, acomete cerca de 2% da população, atingindo mais de um milhão de pessoas no País.

O glaucoma, de acordo com Guena é uma doença que uma vez diagnosticada não tem cura e que em muitos casos leva a cegueira irreversível se não for acompanhada de maneira rigorosa. “O glaucoma é causado pela lesão do nervo óptico e relacionado à alta pressão do olho, a doença pode causar dano no nervo óptico”, explica.

Segundo ele, o glaucoma é complexo e é preciso tratamento diferenciado para cada paciente, pois o mesmo depende de diversos fatores. Por essa razão, ele reforça que é indispensável uma avaliação individual, feita pelo oftalmologista, que vai determinar qual método é o mais adequado. “É importante ressaltar ainda que a pressão ocular não está relacionada à pressão sanguínea, uma associação comum, porém incorreta”, ressalta o médico.

Na maioria dos casos, o glaucoma atinge os dois olhos e a herança genética influencia no aparecimento da enfermidade. As pessoas com mais de 50 anos, histórico familiar da doença, afrodescendentes, pacientes com pressão intraocular elevada devem se submeter a um exame oftalmológico.

O tratamento é feito com colírios que controlam a pressão intraocular. Ainda, há dois tipos de glaucoma: o de ângulo aberto que é gradual, lento e assintomático e responde por 90% dos casos; já o glaucoma de ângulo fechado pode ocasionar dores de cabeça, dor no olho, auréolas de arco íris ao redor das luzes, náusea e vômitos. O mais comum é o primário de ângulo aberto. Responsável por 85% dos casos, é precisamente o que ataca de forma silenciosa.

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