Polícia Civil do estado de São Paulo: um patrimônio da população esquecido pelo governo

Polícia Civil do estado de São Paulo: um patrimônio da população esquecido pelo governo

Neste 30 de setembro, celebra-se o Dia da Polícia Civil bandeirante

A centenária Polícia Civil do estado de São Paulo, com a nobre missão de servir a população paulista, está presente na vida de cada cidadão, ainda que eles não se deem conta. Os milhares de atendimentos ao público nos plantões policiais, a investigação de crimes com prisão dos responsáveis, o combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro, são atividades que representam um pouco desse trabalho. A emissão da cédula de RG pelo IIRGD, que também presta um importante serviço para identificar pessoas desconhecidas, é outro exemplo da dedicação dos abnegados policiais civis.

Resgatar uma vítima de sequestro presa em cativeiro e entregá-la de volta à família, é uma das experiências mais gratificantes vividas por um policial civil. Recuperar bens subtraídos é dar um alento àqueles que muitas vezes perderam tudo. Educar contra o flagelo da dependência química é um legado para as futuras gerações. Auxiliar o Poder Judiciário na luta contra a corrupção, é justiça social. E fazemos tudo isso com extrema dedicação, em busca de uma sociedade mais justa e segura.

Entretanto, é necessário lembrar: somos também seres humanos! Seja dirigindo uma viatura, empunhando uma arma ou conduzindo uma investigação, há uma pessoa que precisa lidar com os riscos inerentes à profissão e o descaso dos chefes de estado. Um ser humano que possui necessidades, aspirações, compromissos financeiros, e sonhos.

Esquecidos pelos governos paulistas nas últimas três décadas, nós policiais civis recebemos os piores salários do país, apesar de estarmos no estado mais rico. Sobrecarregados, trabalhamos sem descanso em virtude do maior déficit da história – faltam 14 mil profissionais na Polícia Civil. Lutamos contra sucessivas reformas, estaduais e federais, que suprimem diversos dos nossos direitos – únicas contrapartidas por conviver diariamente com o risco iminente da morte e uma expectativa de vida menor do que a do restante da população.

Durante a pandemia, não paramos um dia. Não há home office para a Polícia Civil. Até o momento, perdemos mais de 80 irmãos policiais civis para o COVID-19, e quase 3 mil se afastaram em virtude do vírus. Entre 2020 e 2021, foram mais de 5.200 policiais afastados por motivos de saúde. Nós, policiais, estamos adoecendo. Nos dois últimos anos, enterramos 16 irmãos policiais civis que tiraram a própria vida. Diariamente, vemos policiais migrando para outras carreiras ou estados. Os que ficam, apesar da frustração, seguem comprometidos e resilientes – honrando, apesar de todas as dificuldades impostas por nosso governo, a missão de bem servir à população.

Entretanto, frustra-nos a certeza de que poderíamos fazer muito mais. Queremos fazer mais! Mas, para isso, nós policiais civis precisamos ser valorizados. E precisamos ter condições dignas de trabalho para prestar um serviço ainda melhor à população. Tais providências, muito longe de favores, são deveres e obrigações do governador do estado em prol da segurança do cidadão.

Neste 30 de setembro, bradamos em uníssono: valorizem o ser humano policial! A centenária Polícia Civil bandeirante é uma instituição de Estado, composta por servidores honrados, vocacionados e comprometidos com a missão de combater a criminalidade e proteger a população. Lutar pela valorização da Polícia Civil, é defender um patrimônio de toda a sociedade!

Autores: Gustavo Mesquita Galvão Bueno, delegado de Polícia e presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP) e Dario Elias Nassif, delegado de Polícia e secretário-geral da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP)

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