Vereadores relatam preocupações sobre situação da Covid-19 em Piracicaba

Vereadores relatam preocupações sobre situação da Covid-19 em Piracicaba

Com 3.783 casos confirmados e 17 mortes por Covid-19 desde 1º de janeiro, a situação da pandemia em Piracicaba motivou a ida do secretário municipal de Saúde de Piracicaba, Filemon Silvano, e do sub-secretário da pasta, Augusto Muzilli Júnior, à Câmara Municipal, na tarde de sexta-feira da semana passada, dia 15, para esclarecer as ações iniciais adotadas pela gestão Luciano Almeida (DEM) para o enfrentamento da doença.

A presença de ambos foi intermediada pela vereadora Ana Pavão (PL), que representa o Poder Legislativo no grupo de trabalho criado pela nova administração municipal para gerenciar a crise.

O presidente da Câmara Municipal, Gilmar Rotta (CID), agradeceu a oportunidade aberta para os parlamentares tirarem dúvidas sobre a estrutura de atendimento oferecida atualmente por Piracicaba e as medidas para mitigar os efeitos da pandemia no comércio e na educação.

“A proposta dos 23 vereadores é ajudar a cidade a crescer, trabalhando em parceria e resolvendo seus problemas. Queremos entender como está a questão do atendimento e dos leitos de UTI e enfermaria, também para as outras doenças, além de saber como a secretaria e a Vigilância Sanitária vão trabalhar a partir deste fim de semana”, disse o presidente, em referência ao regresso de Piracicaba à fase laranja do Plano São Paulo.

Além de Gilmar Rotta e Ana Pavão, estiveram presentes na reunião, realizada no salão nobre da Câmara, as vereadoras Alessandra Bellucci (REP), Rai de Almeida (PT) e Silvia Morales (PV) e os vereadores André Bandeira (PSDB), Anilton Rissato (PAT), Cássio Luiz Barbosa (PL), Fabrício Polezi (PAT), Gustavo Pompeo (Avante), Josef Borges (SD), Laércio Trevisan Jr. (PL), Paulo Camolesi (PDT), Pedro Kawai (PSDB), Thiago Ribeiro (PSC) e Wagner Oliveira (CID), além da assessoria de Acácio Godoy (PP).

Filemon atribuiu a curva ascendente em Piracicaba de casos de Covid-19 ao reflexo das festas de fim de ano, em que parte da população promoveu aglomerações, e ao maior número de testes realizados pelo novo governo municipal, que assumiu no dia 1º.

“Antes, a diretriz do Estado era de que as pessoas precisavam se encaixar em seis protocolos para realizar exames; hoje, testamos todas as que apresentam algum sintoma.”, afirmou.

Rai de Almeida, Gustavo Pompeo e Pedro Kawai compartilharam dúvidas sobre a decisão da Prefeitura de descentralizar a realização dos testes de PCR-RT, os quais continuarão a ser feitos no Centro de Triagem do Coronavírus —instalado na UPA (unidade de pronto-atendimento) do Piracicamirim—, mas também passarão a ser oferecidos em outros sete postos espalhados pela cidade.

“Queremos testar mais pessoas para fazer um mapeamento e saber realmente quantos afetados há no município. Estamos abrindo sete novos postos, que foram escolhidos por suas características físicas, de modo que as pessoas que forem testadas não entrem em contrato com quem tem atendimento de rotina”, explicou o secretário, reforçando que os testes serão feitos com agendamento para o período da tarde, a fim de não afetar a dinâmica das unidades.

Filemon esclareceu que, nos sete locais que passarão a oferecer o PCR-RT, não haverá atendimento para casos de Covid-19, mas somente a realização dos testes em pacientes para os quais eles foram solicitados na UPA do Piracicamirim, que seguirá efetuando a triagem. Ou seja, todo paciente com sintoma da doença continuará tendo de ir à unidade de referência para passar por avaliação, preencher o cadastro técnico e receber o encaminhamento para o teste, que tem período “certo” para ser feito, já que o PCR é capaz de diagnosticar a Covid-19 em sua fase inicial, isto é, do terceiro ao sétimo dia de sintoma.

“Além do PCR, a partir do oitavo dia de sintoma vamos realizar também o teste sanguíneo, que detecta se o vírus está atuando no paciente ou se ele teve contato e a soroconversão. Estamos ampliando também para o de sangue para ter um mapeamento melhor”, completou o secretário.

A intenção da pasta com a descentralização é também, segundo Filemon, monitorar de perto os pacientes testados, aproveitando a capilaridade das unidades de saúde nos bairros. “Quando a pessoa for fazer o exame lá, a unidade de família vai acompanhá-la, telefonando. Se centraliza na UPA [do Piracicamirim], você não consegue ter esse acompanhamento individualizado, a cada um ou dois dias.”, disse o secretário.

Filemon atribuiu a desativação da tenda que existia na UPA do Piracicamirim à administração Barjas Negri (PSDB), a quem caberia ter renovado, até o último dia de seu mandato, em 31 de dezembro, o contrato com a empresa que a instalou.

“Para nossa surpresa, não foi renovado o contrato com a empresa, então ela teria de tirar de qualquer jeito.”, afirmou.

Segundo o secretário, também colaborou o fato de a tenda ter deixado de ser usada para atendimentos em outubro —em abaixo-assinado, médicos e profissionais que atuam na UPA alegavam que o local era insalubre. “Não fomos nós que decidimos tirar a tenda”, afirmou.

 O número de leitos disponíveis em Piracicaba foi pautado pelo vereador Josef Borges.

O sub-secretário municipal de Saúde, Augusto Muzilli Júnior, informou que, segundo projeção do governo do Estado, a área abrangida pelo Departamento Regional de Saúde de Piracicaba pode chegar ao dia 6 de fevereiro, “no pior cenário”, com 97% dos leitos de Covid-19 do SUS ocupados.

O secretário municipal de Saúde, Filemon Silvano, observou que hoje a situação já inspira atenção, pois, embora os dados oficiais —que são cadastrados em sistema e remetidos aos governos estadual e federal para o monitoramento da pandemia— apontem taxa de ocupação dos leitos em 60%, “na realidade já está em 100%, pois, se há um quarto com dois, três leitos que é ocupado por uma pessoa que não tem diagnóstico definido de Covid-19, enquanto não sai esse diagnóstico, ela ocupa três vagas”.

Isso ocorre, segundo o secretário, em razão do tempo para a divulgação dos resultados de exames comprovando ou não o contágio. A gestão Luciano Almeida quer, em até três semanas, reduzir essa espera. “Identificamos essa dificuldade do retorno dos exames. Com base nisso, estamos vendo outros laboratórios de apoio, como a Fealq [Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz], cujo resultado sai em menos de 24 horas.”

“Às vezes, a internação demora a acontecer por causa do resultado dos exames, já que os laboratórios não trabalham de sábado e domingo. Com o resultado em menos tempo, vamos agilizar a liberação de leitos e acelerar o diagnóstico das pessoas que precisam de internação em ala especifica, ou que vão entrar numa ala que não seja de Covid-19, ou que vão para casa”, exemplificou o secretário.

De acordo com Filemon, em resposta a questionamento do vereador André Bandeira, caso a situação em Piracicaba se agrave mais a Prefeitura estuda usar leitos em hospitais particulares. “Já houve conversa e eles, caso necessário, vão dar suporte também. Há essa possibilidade de ampliar leitos para o município. Temos que começar a fazer e deixar preparado.”

Também faz parte do planejamento do governo municipal o adiamento de cirurgias eletivas, como as ortopédicas, para a liberação de mais leitos, se a situação requerer. “Fizemos reuniões com os hospitais pedindo para diminuírem a quantidade de cirurgias eletivas, as quais não colocam em risco a vida do paciente. Elas não estão sendo cortadas, mas adiadas para não ter o acúmulo de pessoas que não tenham suspeita de Covid-19 dentro do hospital. Consequentemente, sobram mais leitos para que, em caso de colapso, consigamos acolher a população”, explicou Filemon.

A medida foi transmitida a todas as cidades sob a abrangência do Departamento Regional de Saúde de Piracicaba. “Mandamos documento para o Estado suspender as cirurgias eletivas e fizemos videoconferência com os 26 municípios solicitando isso, para que hospitais desabilitem leitos para caso ocorra um agravamento da situação, pois eles já têm mão de obra, embora não especializada. Estamos preocupados e nos reunindo todas as segundas-feiras com os hospitais para ver o diagnóstico da semana que se passou”, relatou o secretário.

 Em resposta a questão colocada pelo vereador Paulo Camolesi, o secretário municipal de Saúde, Filemon Silvano, disse que o município vai disponibilizar medicamentos para “tratamento precoce” da Covid-19, mas que a decisão do que receitar caberá ao médico, uma vez que parte das substâncias não têm eficácia cientificamente comprovada para combater o novo coronavírus.

“Não somos contra o tratamento precoce, contudo precisamos de embasamento legal e jurídico. Não podemos assumir a responsabilidade sobre nenhuma ação sem fato comprovado. Se amanhã o Estado, a Anvisa ou o Ministério da Saúde determinar um protocolo [recomendando a prescrição desses medicamentos], podem ter certeza de que no outro dia estará implantado no município”, declarou o secretário, que é biomédico.

“Enquanto isso não ocorre, já fizemos a solicitação de compra emergencial daqueles medicamentos que contemplam o tratamento precoce. Disponibilizaremos na nossa rede e competirá ao médico, após análise de cada caso, prescrever o tipo de medicamento, já que envolve inúmeras particularidades. Não somos contra, de forma alguma, mas temos que ter a prudência de fazer da maneira correta”, completou.

“Se tivéssemos algum medicamento mágico que pudesse combater [a Covid-19], como é o antibiótico para a pneumonia, mas não temos. Os antivirais comprovadamente não fizeram efeito, as outras substâncias, não tem nenhum trabalho científico que comprove”, acrescentou o sub-secretário municipal de Saúde, Augusto Muzilli Júnior.

“Eu não posso simplesmente botar um protocolo de cima para baixo, porque não existe trabalho cientifico. Sou obrigado a respeitar o receituário do médico que está lá clinicando, que é quem tem a autoridade para prescrever. Vamos disponibilizar, não impor. Se o médico quiser receitar a ivermectina, vai estar lá; o receituário é livre, vai dar o que achar melhor de acordo com o conhecimento dele. Porém, volto a dizer que não existe comprovação científica para isso”, afirmou o sub-secretário, que é médico.

“A nossa maior luta são as desinformações que as redes sociais trazem. Trabalhamos com médicos que estudaram seis, sete anos, depois se especializaram, e que dão diretrizes para as secretarias de Saúde nos Estados. São pessoas qualificadas. Mas temos as que viraram médicas de uma hora para outra e falam que tal medicamento funciona, sem ter um trabalho científico aprovado. Peço cautela na hora de repassar essas informações”, complementou Filemon.

O vereador Fabrício Polezi defendeu o tratamento precoce e entregou ao secretário cópia de estudos que, segundo ele, atestam a eficácia das substâncias.

“O que tenho aqui são dois estudos científicos, de institutos renomadíssimos dos Estados Unidos, que comprovam o tratamento precoce e desmentem as falácias do efeito colateral. Queremos que o tratamento precoce seja disponibilizado como mais uma ferramenta de enfrentamento da Covid-19, pois não é justo negar qualquer tipo de tratamento para a população”, afirmou Polezi.

Piracicaba está preparada para iniciar a imunização contra a Covid-19, com estoque de materiais necessários para a aplicação das doses, segundo o sub-secretário municipal de Saúde, Augusto Muzilli Júnior. “Porém, não sabemos quando, quantas nem como vêm as vacinas, nem o tipo que virá. Assim que chegarem, vamos distribuir. Vai ter um escalonamento de aplicação, primeiro para idosos e profissionais de saúde, até que a cidade inteira seja vacinada. Temos insumos para isso, disposição de material, mas falta a vacina, que ainda não sabemos qual será”, disse Muzilli.

O médico criticou correntes que atacam a eficácia das vacinas em desenvolvimento. “Se você tomar a vacina, ou vai ter uma doença minimizada ou uma resistência maior e você não pegará. O importante é melhorar a sua resistência em relação à disseminação do vírus.”

Em resposta a questionamento do vereador Cássio Luiz Barbosa sobre a falta de médicos “em vários bairros”, o secretário municipal de Saúde, Filemon Silvano, informou que a gestão Barjas Negri havia realizado “contrato emergencial para chamar até 200 plantonistas por mês para suprir essa necessidade”.

“Hoje são 280 por mês e não dá, já fizemos aditivo. A alternativa está sendo deslocar médico de uma unidade para outra, mas isso é uma coisa momentânea. Mas se não têm médico, estamos autorizando os mutirões de fim de semana, para que as pessoas não sejam desassistidas. São atitudes paliativas, sabemos que não é o ideal. Foi feito concurso no final do ano, vamos começar a chamar esses profissionais com extrema urgência para repor esse pessoal, tanto médicos quanto de enfermagem e assistência social”, afirmou o secretário.

O vereador Laércio Trevisan Jr. pediu a reativação, “de imediato, da antiga UPA da Vila Cristina. Na avaliação do vereador, com os “20 a 30 leitos” da unidade, Piracicaba obteria “uma nova reclassificação” no Plano São Paulo, uma vez que um dos critérios para o abrandamento das restrições é o aumento da capacidade de atendimento de uma região.

“Em relação à reabertura da UPA da Vila Cristina, o problema que enfrentamos é a mão de obra: não adianta montar lá um hospital inteiro com equipamentos e insumos e não ter médico nem enfermeiro para tocar esses leitos. Já foi cogitado pegar o antigo prédio da Unimed, na avenida Carlos Botelho, e reabrir, mas caímos no mesmo problema de falta de mão de obra”, explicou Filemon.

Festas clandestinas e estabelecimentos cuja abertura está limitada pela classificação de Piracicaba no Plano São Paulo motivaram perguntas dos vereadores Gustavo Pompeo e André Bandeira.

O secretário municipal de Saúde, Filemon Silvano, citou a reunião realizada no Centro Cívico com as polícias Militar e Civil, a Guarda Civil Municipal e agentes de vigilância em saúde “para enrijecer as condutas em relação aos locais que não estão respeitando as restrições”. Sobre as festas clandestinas, o secretário disse que os setores de inteligência das forças de segurança que atuam na cidade “já estão entrando no circuito para poder se antecipar” a elas e impedir que ocorram.

De acordo com Filemon, o foco da força-tarefa montada pelo prefeito Luciano Almeida são os estabelecimentos que seguem descumprindo as normas mesmo já tendo sido notificados, multados e até interditados durante a crise gerada pela Covid-19. “Vai ter a ação no local e depois as sanções administrativas, em que os estabelecimentos serão levados ao Ministério Público e poderão ter cassada a licença de funcionamento até o fim da pandemia. Não vamos fazer nenhum comunicado a essas pessoas, pois desde março todos sabem as medidas que devem ser tomadas.”

Cobrada pela vereadora Rai de Almeida, uma campanha massiva deve ser promovida pela Prefeitura, conforme mencionou Filemon, para alertar sobre o momento crítico atual. “Estamos terminando de montar a estratégia para começar a divulgar. Queremos fazer uma publicidade mais agressiva para a população entender a gravidade que estamos passando. Só quem está entendendo são as pessoas que estão perdendo entes queridos. Não vamos sair dessa pandemia se não tivermos o apoio da população; podemos ter os melhores planos para a saúde, a maior quantidade de leitos, que vai colapsar”, declarou o secretário.

O sub-secretário municipal de Saúde, Augusto Muzilli Júnior, reforçou que uma das maiores preocupações do momento “são os jovens, que acham que a doença não existe”. “Hoje o idoso está sendo contaminado pelo jovem, que vai aos barzinhos, à conveniência do posto”, apontou Muzilli, que fez um apelo: “Parem com aglomerações desnecessárias! As festas esperam, a vida não espera”.

A possibilidade de o agravamento da situação restringir a circulação das pessoas e o funcionamento de comércios e serviços também foi colocada em discussão. O vereador Laércio Trevisan Júnior defendeu o “princípio da razoabilidade” para que seja permitida a abertura de bares e restaurantes, a fim de preservar empregos. A vereadora Silvia Morales, do Mandato Coletivo A Cidade É Sua, indagou se a Prefeitura cogita adotar o lockdown “em algum momento” caso a previsão do governo do Estado para fevereiro venha a se concretizar. Segundo o sub-secretário de Saúde, os esforços do Executivo são para “não chegarmos a isso”. “A ideia é reverter, por isso estamos correndo.”

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