Tudo muda quando você para de fumar!

“Neste 31 de maio, comemoramos o Dia Mundial Sem Tabaco, quando invertemos a mensagem e falamos dos benefícios de se parar de fumar”, propuseram os médicos Fernando Medina (oncologista), Murilo Piva (pneumologista) e Fábio Duarte (médico de família e geriatra).

Membros do corpo clínico da Santa Casa de Piracicaba e especialistas em suas áreas de atuação, eles lidam diariamente com os efeitos maléficos do tabaco em pacientes acometidos pelo câncer de pulmão, por doenças cardiovasculares, pulmonares e otorrinolaringológicas diretamente vinculadas ao fumo e vibram a cada vitória do paciente que consegue abandonar o vício.

“Chega a emocionar relatos de pacientes que, depois de décadas fumando, conseguem suspender o cigarro e rapidamente perceber melhora em sua condição de saúde”, afirmam os especialistas apontando evidências da sensível redução do número de fumantes no mundo, sobretudo no Brasil. “No passado cerca de 50% da população brasileira eram fumantes;  hoje eles somam  20%, a maioria homens”, apontam.

Segundo o pneumologista Murilo Piva, logo nos primeiros dias e semanas sem o tabaco, a percepção mais relatada é a da melhora na capacidade respiratória e na resistência aos esforços. “Eles passam a subir lances de escada e a ir à padaria mais facilmente; também caminham mais rápido e com menos cansaço; e melhoram o olfato e o paladar em algumas semanas”, disse.

O geriatra e médico de família Fábio Duarte lembra que, nesta etapa, é maior o risco de ganho de peso, que acomete cerca de 25% dos indivíduos que param de fumar. “Daí a importância do suporte nutricional que, em alguns casos, começam antes mesmo de se abandonar o vício”, pontuou.

Mas, além dos benefícios quase que imediatos, abandonar o tabaco proporciona, sobretudo, benefícios de longo prazo, como diminuição no risco de infarto e de câncer, progressivos a cada ano sem fumar.

O oncologista Fernando Medina revela que 30 mil novos casos de câncer de pulmão são registrados todos os anos no Brasil e que a média de sobrevida dessas pessoas, após o diagnóstico, é de 10 meses.  “É o índice mais alto de câncer causado pelo tabaco”, disse. Depois vêm os cânceres de cabeça e pescoço (boca, laringe, faringe e esôfago), o de pâncreas e o câncer de bexiga.

Segundo o oncologista, cerca de 16% dos pacientes atendidos no CECAN – Centro do Câncer da Santa Casa de Piracicaba têm câncer de pulmão. “90% deles são fumantes”, afirmou.

Tratamento pode eliminar o vício:

O médico Fábio Duarte informa que o tratamento contra o tabagismo consiste de abordagem cognitiva comportamental associada ou não a medicações, dependendo da avaliação do grau de dependência física ou psicológica ao cigarro. “Existem instrumentos para definirmos qual o perfil de uso de cada fumante, para melhor individualização do tratamento”, disse.

Ele revela que o tratamento medicamentoso consiste de terapia de reposição de nicotina, os conhecidos adesivos, gomas ou pastilhas de nicotina, bem como antidepressivos quando indicados e medicações especificamente produzidas para redução no prazer que o cigarro proporciona a algumas pessoas.

A melhor combinação, segundo ele,  dependerá do perfil de consumo e dependência.  “Apenas 3% dos fumantes conseguem parar de fumar em um ano; mas quando o tabagista busca auxílio especializado, essa taxa sobe surpreendentemente e varia de 30% a 40%”, revelou.

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