Profissionais da região serão capacitados para atender vítimas de picadas de amimais peçonhentos na Santa Casa de Piracicaba

Profissionais da região serão capacitados para atender vítimas de picadas de amimais peçonhentos na Santa Casa de Piracicaba

A Santa Casa de Piracicaba é o único hospital da região e um dos sete hospitais que integram a DRS-10, que atuam como Centro de Referência no atendimento às vítimas de picadas de animais peçonhentos, entre eles o escorpião, e aplicação do soro antiescorpiônico para os casos mais graves.  No entanto, diante do aumento do número de acidentes envolvendo escorpiões e após a finalização do Plano Regional de Atendimento às Vítimas de Acidentes por Escorpiões (Elaborado em 2019), que prevê a implantação de quatro novos PE (Pontos Estratégicos) o DRS-10 e GVE-20 solicitaram à Instituição um programa de capacitação para profissionais de saúde que atuam em outras cidades e que compõem a Regional. O motivo, segundo a diretora do GVE-20 (Grupo de Vigilância Epidemiológica), Ana Maria Feijó, é a implantação de quatro novos pontos de atendimento na região para melhor atender os mais de 1,5 milhão de habitantes das 26 cidades que compõem a DRS-10.

O Plano Regional de Atendimento às Vítimas de Acidentes por Escorpiões (a ser publicado no DOE) tem como uma das prioridades o atendimento às crianças menores de dez anos e idosos diretamente no PE em até 50 minutos do momento do acidente.

“O atendimento nos casos que envolvem picadas de escorpião deve ser feito em até 50 minutos, no entanto, dependendo da cidade, a vítima não conseguia ser atendida em tempo hábil. Por esta razão, após estudos realizados pelas equipes definimos a necessidade de ampliação desse serviço e a Santa Casa de Piracicaba foi a instituição escolhida para capacitar esses profissionais”, disse Ana Feijó. Segundo ela, o atendimento passará a ser feito também pela UPA de São Pedro, UPA da Vila Cristina (Piracicaba), UBS 24 horas de Ipeúna e unidade de saúde de Itirapina.

De acordo com o diretor da Vigilância Epidemiológica de Piracicaba, Moisés Taglieta, os estudos têm sido realizados desde 2018, quando se constatou essa necessidade. “Os novos pontos foram pensados estrategicamente para cobrir toda a regional. Nossa preocupação é o aumento de registros a cada ano”, disse Taglieta ao reportar os dados da Vigilância Epidemiológica, que mostram que em 2019 foram registrados 1.398 casos de picadas de escorpião em residentes de Piracicaba. Desse total, 82% ocorreram na zona urbana.

Na Santa Casa, os atendimentos também têm apresentado aumento significativo nos últimos três anos. Em 2017 foram atendidas 153 pessoas vítimas de picada de escorpião, em 2018 esse número foi de 263 e em 2019, foram 373 pessoas.

Na Santa Casa, o médico Amando de Camargo Cunha Junior, foi o responsável em promover o curso, explicar o protocolo de atendimento nestas situações e sanar as dúvidas dos profissionais. “É necessário seguir um protocolo rígido e contar com uma equipe bem treinada e capacitada, principalmente em situações que envolvem crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e que devem ser levados diretamente ao Centro de Referência. É preciso sintonia e agilidade na assistência a esses pacientes”, ressalta.

De acordo com a gestora do Cuidado da Santa Casa de Piracicaba, Denise Lautenschlaeger, as equipes de frente, que sãos as primeiras a ter contato com o paciente, passam por capacitação constante. “É preciso rapidez no atendimento e procedimento de bloqueio do veneno para que o resultado seja positivo e que o paciente não tenha sequelas ou vá a óbito”, salientou.

Paralelo ao trabalho de capacitação dos profissionais e ampliação dos pontos de atendimento, Ana Feijó informou que a DRS-10 tem atuado também em parceria com a Sucen (Superintendência do Controle de Endemias) do Estado, que atua no controle e manejo desses animais.

A incidência de acidentes de escorpiões, apesar de ainda ser recente, tem se intensificado principalmente nas duas últimas décadas. Aumento de temperatura global, construções desordenadas, desmatamento, têm feito com que escorpiões se adaptem ao ambiente urbano com facilidade, fato que colabora para o crescimento populacional da espécie, dada sua biologia e comportamento, e aumenta o potencial de acidentes devido à maior proximidade desses animais com os centros urbanos.

Como agir:

Em caso de picada, é importante manter a calma, lavar o ferimento com água e sabão, e seguir imediatamente até um posto de atendimento médico. Também é recomendado, se possível, levar o animal ou uma foto para identificação da espécie. Crianças menores de 10 anos e idosos são mais vulneráveis. Eles devem ser levados o mais rápido possível para um Centro de Referência. Não se pode aplicar compressa, gelo e nem fazer torniquete (técnica utilizada no controle de hemorragias) próximo ao local da picada, uma vez que isso irá potencializar a ação do veneno.

Outra iniciativa importante á sacudir roupas, sapatos e toalhas de banho antes de usá-los. Verifique também colchões e roupas de cama antes de deitar, afastando sempre as camas da parede. Não aplique qualquer tipo de substância sobre o local da picada; não corte, perfure ou queime o local da picada; e não ofereça bebidas alcoólicas a vítima, ou outros líquidos como álcool, gasolina ou querosene, pois não têm efeito contra o veneno e podem agravar o quadro.

 

Legenda-foto – Ampliação dos Pontos Estratégicos tem como foco crianças e idosos, que devem ser atendidos imediatamente após serem picados

 

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