Prefeitura apresenta Censo da População em Situação de Rua em seminário do Ministério da Cidadania e da ONU

Prefeitura apresenta Censo da População em Situação de Rua em seminário do Ministério da Cidadania e da ONU


No dia 07/12, Smads vai apresentar pesquisa realizada no município neste ano; evento tem caráter técnico e não é aberto ao público

A Prefeitura de Piracicaba, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social (Smads), participará do seminário Levantamentos e Pesquisas sobre a População em Situação de Rua no Brasil, que ocorre desde o dia 16/11, de forma online. O evento é promovido pelo Ministério da Cidadania e a Organização Internacional das Migrações, órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

A participação de Piracicaba será no dia 07/12, por meio da apresentação do cientista social Fernando Monteiro Camargo, da Smads, do Censo Municipal da População em Situação de Rua de Piracicaba 2021. O evento ocorre de forma online e tem caráter técnico, por isso é fechado ao público. De acordo com Camargo, a organização do evento realizará um relatório das apresentações que será publicado em forma de livro.

O seminário tem por objetivo promover reflexão sobre os desafios envolvidos na realização de levantamentos e pesquisas sobre a população em situação de rua no Brasil e outros países. Para isso, as apresentações – promovidas entre os dias 16/11 e 14/12 – abordam discussões metodológicas e experiências e resultados de pesquisas já realizadas.

“Piracicaba foi uma entre as poucas cidades convidadas para apresentar a experiência de pequisa com pessoas em situação de rua, nesse seminário. É um reconhecimento ao trabalho que realizamos, porque o objetivo é, a partir do compartilhamento dessas metodologias e experiências de pesquisa, criar uma metodologia nacional de pesquisa com esse público. A nossa experiência, junto com outras, servirá de referência para essa proposta nacional”, explica Camargo.

Segundo o cientista social, não existe pesquisa nacional e com metodologia específica com a população em situação de rua. “Isso faz com que a gente não conheça quais as reais necessidades desse público, para a criação de políticas públicas”, explica. “As políticas públicas ficam baseadas em percepções individuais e ou experiências de outros países. No Brasil, temos apenas iniciativas locais de alguns municípios e, apesar disso ser positivo para esses municípios, as metodologias distintas desses estudos inviabilizam análises comparativas e implementações de políticas públicas nacionais”, complementa Camargo.


CENSO – O Censo Municipal da População em Situação de Rua de Piracicaba 2021 foi realizado por meio de parceria da Smads com o Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus Tratos na Infância (Crami) e com a empresa Indsat (Indicadores de Satisfação dos Serviços Públicos). Apesar de pesquisas anteriores, realizadas com a população em situação de rua em Piracicaba, este é o primeiro estruturado desta maneira e teve como objetivo identificar o perfil socioeconômico das pessoas em situação de rua e a utilização dos serviços públicos, reunindo informações a respeito do cotidiano desta população diante do cenário atual de pandemia.

“Nosso Censo tem servido como base para análises dos serviços oferecidos para as pessoas em situação de rua em Piracicaba, colaborando com a reestruturação da rede socioassistencial, visando atender melhor as demandas dessa população e para a elaboração do Plano Municipal da População em Situação de Rua, que será construído em diálogo com o Comitê Pop Rua”, afirma a secretária da Smads, Euclidia Fioravante.

De acordo com o Censo, do universo de 198 pessoas que responderam todo o questionário, 84,8% querem sair das ruas; 54,5% não são de Piracicaba, mas 74,7% moram no município há mais de cinco anos. O grupo é formado na sua maioria por homens (84,7%), pretos e pardos (57,6%), com ensino fundamental (63,1%). O motivo que os levou às ruas, em 35,3% dos casos, é conflito familiar, seguido pela dependência ao álcool (21%) e outras drogas (19,1%).

Das pessoas que estão nas ruas atualmente em Piracicaba, 32,3% estão nas ruas há menos de dois anos e 25,8% não possuem mais nenhum contato com familiares; 47,8% vivem com menos de R$ 7 por dia e 23,7% declaram possuir algum tipo de deficiência e 61,6% tem entre 31 e 50 anos. Dos entrevistados, 97,6% têm acesso a algum serviço ou política pública.

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Cancelar resposta