Dedini Piracicaba entra no mercado de equipamentos de etanol de milho

Dedini Piracicaba entra no mercado de equipamentos de etanol de milho

Dedini Piracicaba entra no mercado de equipamentos de etanol de milho. Foto: Alessandro Maschio

A Dedini S/A Indústrias de Base dá mais um passo na direção do atendimento pleno ao mercado sucroalcooleiro e energético. Lançou, durante o Agtech Valley Summit, atividade inserida no ESALQSHOW, em Piracicaba, a Destilaria Modular para a Fabricação de Etanol de Milho e Ração Animal. Com projeção de receitas de 90% a 150% maiores por hectare por causa dos produtos, em relação à venda apenas do milho, a destilaria também vai ajudar o Brasil atender às metas de produção da RenovaBio, a Política Nacional de Biocombustíveis.

Tradicional no mercado de construção de usinas para a produção de etanol de cana-de-açúcar, a Dedini desenvolveu esse projeto inovador nos últimos três anos, segundo o engenheiro de projetos industriais Marcilio Nogueira do Amaral Gurgel, coordenador do trabalho.

“As receitas das vendas de etanol e da ração, chamada DDGS, produzidos por essa usina, agregam valor à cultura, podem render até três vezes mais para os produtores do que a venda do milho, por conta da eliminação dos custos logísticos e da redução dos custos operacionais. Se a opção for utilizar o DDGS no confinamento na propriedade, as vendas de etanol e de carne poderão gerar receitas de quatro a cinco vezes maiores do que a venda do milho, conceito de economia circular para produtos sustentáveis”, relata o engenheiro.

Apesar de oficialmente apresentada no evento da ESALQ, a destilaria já chegou ao mercado. A Dedini tem encomendas para três unidades com capacidade de produção de 30 mil litros de etanol de milho por dia, feitas para produtores de milho do Mato Grosso, e começa a construir as unidades em um mês, com prazo de entrega das plantas completas e funcionando em oito meses, inclusive com equipe operacional treinada.

Foi a ociosidade das usinas brasileiras na entressafra que inspirou o engenheiro a procurar uma opção para a produção do biocombustível, usando outra matéria-prima. Antes de chegar ao milho, Amaral Gurgel testou beterraba e sorgo sacarino.

Mas foi um convite do governo do Mato Grosso para uma caravana do milho, com visitas a cooperativas, sindicatos rurais, produtores e culturas, e as projeções de produção do produto naquele Estado, que definiram as bases do projeto. Muitas horas de pesquisa e viagens, para conhecer o que estava sendo feito em outras partes do mundo, foram necessárias.

VANTAGENS – As vantagens em termos de custo e produção estão diretamente ligadas à região produtora. “O Mato Grosso responde por aproximadamente 25% de todo o milho produzido no Brasil, só 17% desse milho é consumido no Estado, 61% é exportado, e o restante é consumido no Brasil. Junto com o Mato Grosso do Sul, que produz 10% do milho do país, e Goiás, responsável por 11%, temos a região Centro Oeste como ideal para a implantação dessas destilarias”, afirma Marcílio Gurgel.

A redução do custo da produção depende dessa proximidade com regiões produtoras, o que evitará gastos com o frete. Além disso, o engenheiro destaca a chamada verticalização da produção, ou seja, a integração dessa destilaria modular de etanol de milho ao confinamento de gado, com a utilização do DDGS.

“O resultado prático é que se agrega valor à produção de milho com o etanol, a ração, a engorda de animais e o comércio de carne. A soma de todos os elementos significa geração de empregos, impostos e riqueza para uma região importante do ponto de vista do agronegócio”, diz.

As receitas das vendas de etanol e do DDGS podem render 90% mais por hectare para os produtores do que simplesmente venderem o milho.

Segundo último estudo de uma série sobre o potencial de Mato Grosso e a verticalização da produção, feita pelo Rabobank (banco especializado em agronegócio), se a opção for usar o DDGS em confinamento na própria fazenda, as vendas do etanol e da carne poderão gerar receitas até 150% maiores, por hectare, do que a venda do milho.

Conforme Marcílio Amaral Gurgel, em 2 mil hectares de milho cultivado é possível produzir 15 mil litros de etanol e 11 toneladas de ração por dia, um volume que permite o confinamento de até 5.000 cabeças de gado.

E o uso do milho oferece outra vantagem, de acordo com o engenheiro: pode ser processado o ano todo, 24 horas por dia, sem entressafra. E a matéria-prima pode ser comprada de outros produtores instalados na região, garantindo produção ininterrupta.

Como a destilaria é modular, sua capacidade de produção pode ser aumentada gradativamente: de 15 mil para 30 mil, 60 mil, 90 mil, 120 mil litros. Além disso, a destilaria é compacta. A que tem capacidade de produção de 30 mil litros por dia, precisa de 15 mil metros quadrados para ser instalada (um hectare e meio). A destilaria é totalmente sustentável. A partir de 60 mil litros por dia, o resultado é zero de resíduo, com reuso da água.

O custo de produção do etanol em relação a uma usina que usa cana-de-açúcar é de 15% a 20% menor. O uso de mão de obra também é menor e a matéria-prima pode ficar armazenada na propriedade. Marcílio calcula de dois a três anos para o retorno do capital investido na destilaria.

“Fecha esse ciclo virtuoso de vantagens a produtividade. Uma tonelada de cana resulta em 80 a 90 litros de etanol. E uma tonelada de milho resulta em 400 litros de etanol e 280 quilos de ração, uma diferença brutal em termos de custo-benefício”, calcula Amaral Gurgel.

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