Do boi saem a carne e o couro!

E do petróleo saem os gases etano, propano, butano, o querosene, os óleos lubrificantes, o óleo diesel e a gasolina.  

Á medida que vai aquecendo o petróleo para extrair os subprodutos, primeiro evaporam os gases.

O butano comprimido é o conhecido GLP, o gás de cozinha.

A 150 graus evapora a Gasolina que a temperatura ambiente se liquefaz.

O Querosene a 200 graus.

O Óleo Diesel a 300 graus.

Acima de 370 graus, destilam o óleo combustível, os óleos lubrificantes, a parafina e o asfalto.

Assim como não dá para termos a carne do boi sem tirar o couro.

Não pra destilar os gases, o Querosene, o óleo Diesel e os óleos lubrificantes sem destilar a gasolina.

Então essa lei que acaba com os carros a gasolina a partir de 2.030 é uma demonstração de ignorância ou algo ainda pior que ignorância por parte dos dirigentes deste planeta.

A fenômenos químicos não obedecem às leis que os homens impõem.

Mas a natureza é tão sabia que acertou na mosca quanto a humanidade ia consumir de cada subproduto?

O mundo consome Óleo combustível, Diesel, Querosene, Gasolina, gases e não sobra nada?      

Não.

O homem resolveu essa conta.

Cada subproduto componente do petróleo é constituído cadeias de carbono ligados a moléculas de hidrogênio.

Sempre vão existir todos os subprodutos, gasolina inclusive.

Então o homem inventou o “cracking”

Craqueamento é “quebrar” as moléculas mais longas em moléculas menores.

Por exemplo, quebra uma molécula com 16 carbonos que é um óleo em duas moléculas de 8 carbonos que é a gasolina.

Dessa forma atende a todas as necessidades sem sobrar nenhum subproduto do petróleo.

Uma conclusão é que os preços de todos os subprodutos tem no seu preço, uma parcela política ou de forma mais elegante, estratégica.   

Todos os equipamentos pesados e os tratores agrícolas consomem óleo Diesel.

Todos os aviões a jato consomem o Querojet, que é um querosene mais esnobe.

Quando passamos pela Av. Ruben Berta na cabeceira da pista do aeroporto de Congonhas, se tiver um avião acelerando as turbinas, ainda parado no início da decolagem, sentimos o cheiro das antigas lamparinas. Os jovens não sabem o que é lamparina. Era uma garrafa de vidro com um pavio que “puxava” o querosene para queimar e iluminar as casas.

Também os turboélices que são turbinas a jato que acionam a hélices e, portanto, consomem outra espécie de querosene.   

Só os pequenos aviões têm motores ciclo Otto a gasolina. Aliás os grandes fabricantes desses motores já estão substituindo para ciclo Diesel e vão passar a consumir o mesmo combustível dos jatos. Sim um motor ciclo Diesel pode consumir querosene.

Então os pequenos aviões vão ganhar no consumo de combustível devido a maior eficiência do ciclo Diesel e também na segurança graças a confiabilidade desses motores. Os tratores e caminhões pesados provam todos os dias.

Os navios que atravessam o Atlântico e o Pacifico trazendo milhares de containers da China, descarregam e retornam para a China, que infelizmente se transformou na “fabrica do mundo” espalhando desemprego pelo mundo inteiro.

O nosso minério vai a granel pra China. Assim como as comodities agrícolas, açúcar da Costa Pinto e da Usina da Barra inclusive.

E todas as peças são lubrificadas pelos óleos derivados do petróleo.

Enfim.

Esta civilização não pode viver sem o óleo Diesel, o Querosene e os óleos lubrificantes.

Boa parte da Europa será obrigada a suspender a fabricação de veículos a combustão até 2.030.

Vários estados vão aderir a proibição, como a California, Massachusetts e New Jersey, até 2.035

Então o que fazer com o oceano de gasolina que vai sobrar?

Nem tanto. O que fazer com o rio de gasolina que vai sobrar?

Já que os automóveis a gasolina serão proibidos.    

Nunca se falou tanta bobagem que passou despercebida pela humanidade.             

Qual é a verdade?

Até agora citei fatos científicos, na realidade ciência “rasteira”

Agora são suposições de um inocente engenheiro, que só pensa em projetos e processos bem-intencionados. Que eu aliás teria o maior prazer em expor.

Diante de uma ação criminosa, um critério para descobrir o criminoso, é descobrir quem ganha.

Então vamos utilizar o mesmo critério.

Pode não ter sido criada por eles, mas soltaram rojões com essa lei.   

As poderosas montadoras de automóveis.

Montadora gosta de montar, desenvolver e construir motores cada vez mais complexos é elegante, satisfaz os engenheiros, mas não deve satisfazer os economistas das montadoras.

Uma montadora saí com uma inovação e logo outra sai com outra ainda melhor.

E lá se vai mais milhões de dólares para mais inovações.

Não pensem que elas gostam de gastar dólares.

Elas existem para ganhar dinheiro.

Por exemplo:

Nada como fabricar um Opala com leves retoques por 34 anos!

De 1.968 a 1.992.

Aliás um ótimo carro, o meu primeiro foi um 6 cilindros 3.800 de 1.971 ainda estudando na saudosa POLITCNICA, bons tempos, depois um valente 250 S em 1.978 e o ultimo um Diplomata 1.991.

E a kombi? 58 anos!

De 1.958 a 2.016.

Meu pai teve uma 1.959 uma das primeiras em Piracicaba, eu tinha 12 anos, e queria dirigir a kombi de qualquer maneira.

É isso que as montadoras gostam.

É isso que dá lucro.

Elas aproveitaram a reserva de mercado que segurou o desenvolvimento dos automóveis no Brasil por décadas.

E não estavam erradas. São empresas com o objetivo de dar lucros aos seus acionistas.

Infelizmente é a natureza humana.

Grandes homens com nobreza nas atitudes hoje são raros, não me ocorre nenhum.     

E não é de hoje.

Lembre-se do episódio do Thomas Edson e Nicola Tesla.

O Tesla queria desenvolver uma forma de distribuir eletricidade sem cobrar. Evidentemente contra os interesses do seu patrão, o gênio Thomas Edson que patenteava cada invenção que criava.

Resultado. O Tesla morreu pobre. O Edson deixou rico seus descendentes até hoje.    

O momento atual tem dois pesadelos que tiram o sono dos economistas das montadoras.

O famoso Lee Yacoca pai do Mustang chamava os economistas da Ford de “beans counters” contadores de feijão. Ele era do time que gostava de carros. Os economistas gostam de dinheiro. E os acionistas que são os verdadeiros patrões também.

As montadoras estão enfrentando dois pesadelos:

Primeiro:

Puxa quantos concorrentes bons!

Tem que investir muito para ser competitivo. Sempre com o risco de a inovação lançada não dar certo. Que saudades quando éramos os três grandes nos Estados Unidos e uma grande por pais na Europa.

Aí o fusca invadiu os Estados Unidos.

E pior ainda, chegaram os japoneses invadindo também a Europa.

Agora os Sul Coreanos e os Chineses.

O automóvel virou uma vitrine de tecnologia.

Nem sempre com objetivos sensatos, mas para satisfazer a natureza humana.

Por exemplo o câmbio com duas embreagens para ganhar centésimos de segundo na troca de marchas. Muito importante no GP de Monte Carlo, onde muda de marcha dezenas de vezes por volta, talvez centenas, mas no trânsito congestionado que enfrentamos…  A Volkswagen, a Ford e a Fiat lançaram uma porcaria. Com certeza vão corrigir, mas ainda é uma porcaria. Uma verdadeira arapuca.

Para fugir das caras engrenagens a Honda lançou a transmissão com corrente continuamente variável no primeiro Fit. Não deu certo. Mas estão sendo adotado pela Toyota e Subaru. Afinal o caminho que os câmbios estão tomando, é melhor fugir deles, mesmo que perca no rendimento energético.

E os carros com tração nas quatro rodas?

São extremamente desejáveis e necessários na maioria dos países do primeiro mundo que enfrentam nevascas. Onde até quatro por quatro encalha.

Imagine uma mãe encalhada na neve com o carro cheio de crianças.

Esses carros tem mais um diferencial no eixo dianteiro e um terceiro diferencial entre os eixos. E as vezes uma caixa de transferência cheia de engrenagens.   

São as versões mais caras, porque todo carro que se preze tem a versão do topo quatro por quatro, me refiro nos Estados Unido e na Europa, afinal são projetados lá.

São os que mais vão ganhar com motorização elétrica. Um motor por roda, controlados por computadores com todas as vantagens e ponto final.

Segundo:

As limitações das emissões cada vez mais rigorosas.

Palavras do Soichiro Honda, o homem que criou a HONDA.

Quando a EPA, agencia do governo americano que regulamenta emissões, cria uma nova lei, a General Motors contrata 50 advogados.

A HONDA contrata mais 50 engenheiros. Pode ser tudo mentira, mas é uma boa propaganda.

Atender as emissões requer custosa dedicação nas montadoras. E não tem fim. São limites cada vez mais rigorosos. Quando elas atendem um limite, já tem outro.    

O que matou o carburador, não foi a melhor performance da injeção eletrônica. Foram as emissões cada vez mais rigorosa.   

O fim do carro a gasolina caiu como uma benção para as montadoras.

A HONDA, BMW já disseram que o motor atual foi o último. Não vão existir mais desenvolvimentos.

A FORD e a GM pararam o FUSION e o CRUZE para se concentrar nos elétricos que serão mais lucrativos.    

Essa lei é maravilhosa!

Numa só tacada, vamos nos livrar dos motores cada vez mais custosos para fabricar e viva! O câmbio e o diferencial também morreram!

O motor elétrico pode ser montado por robôs e importado da China. O motor a gasolina tem que ser montado por homens. Aliás algumas montadoras premium colocam uma plaqueta com o nome do “artista” que montou aquele motor.

Elas, as Montadoras não estão preocupadas com o efeito estufa. Estão preocupadas com lucro.

Afinal o carro elétrico é o campeão de emissões, deveria chamar carro a carvão mineral. Já que a energia que move o carro elétrico vem da queima do carvão mineral em muitos países. Nós somos uma honrosa exceção. A nossa energia é hidroelétrica.              

Então voltando ao tema desta matéria.

O automóvel elétrico vai chegar.

E o CO2?

Quem se preocupa, ou não entendeu nada, ou esquece.

Nos Estados Unidos, um carro médio tem 300 hp. E o veículo mais vendido não é um carro. É a pick-up Ford com duas toneladas e meia e motor que vai dos 300 aos 500 hp. E o segundo lugar é a Chevrolet do mesmo nível evidentemente, só depois vem um automóvel.

Eles querem potência torque enfim força.

O melhor sedã é o Cadillac CTS e o DODGE HELLCAT com 700 hp faz tempo.

E a pick-up Ford elétrica, sim já tem elétrica, rebocou vagões ferroviários carregados com 42 pick-ups!

Assim a indústria automobilística atende aos desejos do povo.

Nessa ótica, se alguém está esquecendo do futuro do nosso querido planetinha, são os compradores das pick-ups, sim primeiros elas, afinal são as mais vendidas, e dos carros.

E nós brasileiros?

Conhece alguém que gosta de carro mil?      

E o efeito Estufa…

Oras o efeito estufa…  

E lembre-se do boi e da vaca.

Também do porco que dá o pernil, o lombo e à pururuca.

Petróleo sem gasolina em 2030.

Oras bolas.   

Por: Oscar Nishimura, Engenheiro Mecânico, formado pela Faculdade Politécnica da USP e Autodidata.

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