Cuidado na hora de escolher empresa para viagem de fim de ano

Cuidado na hora de escolher empresa para viagem de fim de ano

Os três graves sinistros de trânsito ocorridos em Goiás, Minas Gerais e no Distrito Federal, que deixaram dez mortos e mais de 70 feridos na última semana, reforçam a urgência de aumentar a fiscalização sobre o transporte de passageiros e sobre o cumprimento da Lei do Descanso nas rodovias brasileiras. “Nos últimos dois anos os sinistros envolvendo ônibus provocaram grandes tragédias no Brasil, causadas, principalmente, por jornadas exaustivas e pela falta de manutenção dos veículos. Paralelamente, o transporte clandestino aumenta, mas as operações de fiscalização pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) não acompanham esse ritmo de crescimento”, afirma o médico especialista em Medicina do Tráfego e diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), Alysson Coimbra.

Segundo a ANTT informou à imprensa, nos últimos dois anos 2.688 ônibus foram apreendidos com várias irregularidades. “O transporte de passageiros só pode ser feito de forma segura se for autorizado pela ANTT. A Agência adota critérios de segurança e monitoramento para autorizar as viagens. No caso desse último sinistro ocorrido no Distrito Federal, que deixou 25 feridos, o ônibus não tinha aval para transportar passageiros”, comenta Coimbra.

Um levantamento feito pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) a pedido da Ammetra, mostrou que o número de infrações por desrespeito à Lei do Descanso teve uma alta de 272% nos dois últimos anos. Esse tipo de infração vem crescendo desde 2018. Naquele ano, foram computadas 5.775 infrações. Em 2020, o número saltou para 21.499. “O cansaço, aliado à privação de sono, compromete os reflexos e a capacidade de reação, além de aumentar o risco do desenvolvimento de doenças metabólicas, como a obesidade, hipertensão e diabetes. Esses fatores somados reduzem a capacidade de dirigir em segurança e ampliam os riscos de sinistros”, afirma.

A Lei do Descanso determina que o motorista profissional não pode dirigir por mais de cinco horas e meia ininterruptas e deve fazer pausas de 30 minutos de descanso dentro de cada seis horas. No caso dos motoristas que transportam passageiros, o descanso deve ser aplicado a cada quatro horas. “Os motoristas têm que descansar no mínimo 11 horas a cada período de 24 horas e a falta de fiscalização sobre o cumprimento dessa lei é um dos grandes causadores de sinistros de trânsito”, afirma o especialista.

Riscos e cuidados
A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (ABRATI) lançou, no final de outubro, uma campanha para esclarecer sobre os riscos do uso de transporte clandestino. Segundo a associação, motoristas que atuam na clandestinidade não têm treinamento para dirigir à noite ou em grandes distâncias, não passam por testes toxicológicos periódicos, nem de aferição alcóolica. Além disso, afirma a associação, as empresas não contam com alojamentos de descanso adequado e os veículos não passam por vistorias frequentes. “Quem for viajar nesse final de ano e férias deve escolher empresas legalizadas, que oferecem seguro e exigir o bilhete de viagem. É sempre importante lembrar que empresas clandestinas não oferecem seguro ou qualquer suporte aos passageiros. Não dá para economizar com a segurança e a proteção da vida”, diz.

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